As seis regras de inovação de Pedro Waengertner, o fundador da ACE

O fundador da aceleradora ACE ensina como inovar de maneira radical

As seis regras de inovação de Pedro Waengertner, o fundador da ACE

O fundador da aceleradora ACE ensina como inovar de maneira radical

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Pedro Waengertner é o fundador da ACE, a primeira aceleradora de startups do Brasil, criada em 2012. Pedro e Mike Ajnsztajn tinham acabado de realizar a venda do Zuppa quando abriram a aceleradora para fomentar o ecossistema de startups do país. O Zuppa foi o primeiro site de reservas online de restaurantes do país.

Além de empreendedor, Waengertner também é investidor e auxilia as startups em suas buscas por um modelo de negócio e desenvolvimento. Com a experiência, o fundador da ACE lançou, recentemente, um livro que discute como realizar uma inovação radical. Ele esteve no evento Audaz da StartSe, nesta quinta-feira (6), para contar seus principais aprendizados.

“Inovar em startups vai além de trabalhar em um ambiente legal e colorido ou escrever objetivos em um post-it. Nada contra, mas tem startups que estão inovando muito em pequenas salinhas e, se as empresas estão vivendo menos, o que falamos sobre inovação e post-it não está trazendo o resultado que gostaríamos”, comentou Pedro. Por esse motivo, o empreendedor traçou seis princípios para inovar – seja em um ambiente colorido ou nos mais convencionais.

  1. Inovação é design organizacional

Para Waengertner, é necessário mudar a forma como lideramos pessoas. “Não é falar ‘time, inovem’ que isso irá acontecer. Devemos criar as condições para que isso aconteça”, comentou.

Uma das iniciativas que podem incentivar a inovação é o intraempreendedorismo. O intraempreendedorismo é quando os funcionários da própria empresa começam a empreender, testando e propondo novos produtos e ideias. “Eles constroem os negócios de dentro das organizações e não são menos importantes dos que fazem isso fora”, comentou.

“O Benjamin Black, por exemplo, criou um negócio de bilhões dentro da Amazon: a Amazon Web Services. Ken Kutaragi criou o Playstation dentro da Sony. E Ted Tarandos decidiu investir em conteúdo próprio na Netflix com a série House of Cards. A empresa tinha US$ 300 milhões no caixa quando começou, e usou 1/3 na série”, comentou. Hoje, a Netflix inclusive faz dívidas para levantar investimentos para criar novos conteúdos próprios.

  1. Gestão ágil

Organizar os times da maneira correta faz toda a diferença para o desenvolvimento de qualquer empresa. Não há uma receita correta de como fazê-lo, mas é interessante que o desenvolvimento seja ágil. O fundador da Ace citou alguns exemplos bem-sucedidos, como o do Wordpress e Spotify.

“A Automatic é a empresa que criou o Wordpress, é bilionária. No entanto, eles não têm escritório – eles têm funcionários que trabalham remotos e clientes podem consultar no site encontrá-los em vários lugares do mundo”, descreveu.

Outro exemplo é o do Spotify, que está organizado em squads, como são chamados times enxutos. “Squads são criados para resolver problemas, e o mais importante é o ‘como’. A hierarquia acaba atrapalhando, mostramos um saudável desrespeito pela hierarquia até certo ponto para achar as estruturas certas. Dessa forma, a liderança emerge”, explicou.

Dar mais liberdade e confiança aos funcionários garante que os produtos possam ser desenvolvidos e testados de forma mais rápida. “É necessário unir o lean startup aos métodos ágeis de gestão, como o Scrum e outras iniciativas”, afirmou.

  1. Trabalhando com parceiros

O fundador da aceleradora citou o exemplo da Rappi como startup que está trabalhando com parceiros – e funcionando. A empresa consegue trazer mais clientes para seu aplicativo ao reunir diversas soluções, inclusive outras empresas.

Esse é o caso da Grin, por exemplo, startup de patinetes elétricos. Nesse caso, os clientes da Rappi podem alugar os próprios patinetes através do aplicativo, concentrando diversas soluções em uma. Por outro lado, a Rappi passa a ser uma porta de entrada para novos usuários da Grin.

Além disso, ele também citou o exemplo da startup chinesa Xiaomi, que tem os smartphones como seu negócio principal, porém testa outros dispositivos em iniciativas solos e em parcerias.

  1. Mate seu próprio negócio

Também faz parte da jornada do empreendedor identificar quando sua solução ou empresa não está indo bem e, talvez, caminhando para o "Vale da Morte". Se esse momento é detectado, pode ser a hora de mudar de estratégia ou produto – mesmo que signifique matar o próprio negócio.

“A Microsoft é um grande exemplo de empresa que se renovou. Ela basicamente foi para nuvem, e todos os negócios que crescem estão ali. Eles conseguiram mudar a matriz de toda a receita”, comentou Pedro.

Waengertner citou, ainda, o exemplo do próprio Google. Apesar da empresa continuar em ascensão, ela continua procurando por outros modelos de negócio que podem mudar o mundo. “A divisão de carros autônomos do Google, a Waymo, saiu do GoogleX e hoje é bem-sucedida e vale bilhões. Eles estão sempre experimentando”, exemplifica.

  1. Pensamento de investidor

Investir em diferentes ideias, como os investidores geralmente fazem, é interessante para manter a agilidade das empresas. “Normalmente as empresas tem o grande medo do projeto dar errado – mas, se você está preocupado, provavelmente não pensou do jeito certo”, comentou.

Por esse motivo, assim que o produto principal for definido e o modelo de negócios provado, chegou a hora de pensar em outras iniciativas. “Para mitigar o risco, os investidores aportam o valor certo em mais de uma ideia. Eu sei que grande parte dos meus projetos vão dar errado, mas os poucos que derem certo, se eu investir em 10, os 2 que sobraram vão dar mais ou menos certo e outro vai estourar a boca do balão”, descreveu Pedro.

  1. O cliente

O último e o mais importante é sempre pensar no cliente. “Se perguntarmos, várias empresas vão falar que o cliente está no centro. Eu não acho que é verdade, poucas colocam”, comentou o fundador da ACE. Como exemplo positivo, ele citou a Amazon, que tem entre seus valores a obsessão com os clientes e uma cadeira vazia em todas as reuniões, como uma representação física dele.

“Nosso único seguro é o cliente. Em meio a tanta tecnologia, disrupção, se focarmos nele, ele estará lá”, finaliza.

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