Especialistas dizem que a Tesla não conseguirá entregar seu modelo básico em 2018

Segundo Jeremy Acevedo, da Edmunds, a principal razão para a entrega não acontecer é a busca da Tesla para se tornar uma empresa rentável

Especialistas dizem que a Tesla não conseguirá entregar seu modelo básico em 2018

Segundo Jeremy Acevedo, da Edmunds, a principal razão para a entrega não acontecer é a busca da Tesla para se tornar uma empresa rentável

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A história do Model 3 da Tesla é recheada de polêmicas - há quem elogie o carro, mas os atrasos na produção e as denúncias da qualidade duvidosa do veículo não podem ser ignoradas. Além da meta de produção que, após ser adiada diversas vezes, foi alcançada em julho, a empresa precisa entregar a versão de US$ 35 mil do carro. Até agora, a Tesla só fez versões premium do veículo, com baterias altamente potentes, custando cerca de US$ 49 mil, segundo o próprio site da empresa.

A nova meta surgiu em maio, quando o CEO da empresa, Elon Musk, sugeriu que a companhia passasse a entregar o modelo de US$ 35 mil cerca de três a seis meses após atingir seu objetivo de produção. Ou seja, os veículos mais baratos deveriam começar a ser vendidos entre setembro e dezembro. Segundo Musk, após a fabricação dos primeiros modelos, prevista ainda para este ano, a produção em massa do Model 3 se iniciaria a partir de 2018.

Apesar do CEO da empresa sugerir a meta ousada, a Tesla ainda é conservadora em relação a isso em seu site. Segundo a companhia, o modelo básico do Model 3 estará disponível entre quatro e sete meses após o alcance de sua meta de produção.

A opinião dos especialistas

Mas de acordo com Akshay Anan, analista executivo da Kelley Blue Book, e Jeremy Acevedo, gerente de análise da Edmunds, é altamente improvável que as entregas comecem em setembro deste ano. Ambos os especialistas acreditam que o cronograma descrito no site da Tesla é o mais realista e que a produção em massa do carro passará para o final de 2019. Embora a Tesla não tenha problemas em gerar demanda para o Modelo 3 - a empresa informou em um documento regulador que tinha cerca de 420.000 reservas líquidas para o veículo no final de junho -, a longa espera pelo modelo básico pode afastar alguns clientes que queriam comprar o produto ainda esse ano, disse Acevedo.

Segundo Acevedo, a principal razão para o atraso é a busca da Tesla para se tornar uma empresa rentável. A companhia informou em sua carta de lucros do segundo trimestre deste ano que espera ter lucros consistentes a partir do terceiro trimestre e, nesse cenário, os modelos mais sofisticados geram melhores margens do que o modelo básico. No mês passado, por exemplo, alguns analistas do UBS analisaram a construção do Model 3 básico e constataram que o veículo geraria uma perda de US $ 5.900 por unidade.

Com o pensamento voltado para rentabilidade em mente, a Tesla deve se concentrar nos modelos mais lucrativos no curto prazo, disse Acevedo. Musk indicou o mesmo em maio, quando disse que Tesla "perderia dinheiro e morreria" se começasse a entregar o modelo básico de forma tão rápida.

Qualidade x Velocidade

De acordo com Anand, independentemente de metas, é importante que a Tesla priorize a qualidade em relação à velocidade de entrega de todas as versões do Model 3. "Acho que a qualidade tem que ser sua maior prioridade", disse ele. Isso porque alguns clientes relataram problemas significativos com alguns veículos da empresa após recebê-los.

O Model 3 de US$ 35 mil alcançará novos tipos de clientes - ao contrário dos atuais clientes da Tesla, alguns podem não possuir mais de um veículo. Nesse contexto, se o Tesla dessa pessoa quebrar, sua vida toda será atingida e isso pode gerar um desconforto nas relações da marca. Embora a Tesla tenha mais margem de manobra com os clientes em relação a problemas de qualidade do que outras marcas, disse Anand, alguns de seus novos clientes podem não ser tão compreensivos e gerar um problema ainda maior para a empresa.

Entregando ou não, a Tesla - uma empresa do Vale do Silício - foi significativa para a mudança de mentalidade do mercado automotivo. Hoje, ninguém mais pensa em fazer carros movidos à derivados de petróleo e o carro elétrico e autônomo está na vista de todas, absolutamente todas, as montadoras tradicionais, que fazem parcerias ou estudam o caso. Para entender como o Vale do Silício está mudando a vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo, conheça o Silicon Valley Conference, um evento exclusivo em São Paulo para tratar sobre a inovação que a região está trazendo.

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