He Jiankui, cientista genial ou pesquisador irresponsável?

Confira uma retrospectiva dos acontecimentos polêmicos que levaram ao nascimento das gêmeas geneticamente modificadas

He Jiankui, cientista genial ou pesquisador irresponsável?

Confira uma retrospectiva dos acontecimentos polêmicos que levaram ao nascimento das gêmeas geneticamente modificadas

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"Profundamente perturbador". Foi com esta frase que a comunidade cientifica recebeu o cientista chinês He Jiankui, nesta quarta-feira, no Congresso de Edição Genética Humana, em Hong Kong. Três dias antes do evento, He chocou o mundo ao anunciar o nascimento de gêmeas que ele modificou geneticamente.

Diante de um auditório com 700 pesquisadores e uma audiência online de milhares de pessoas, o cientista chinês declarou estar "muito orgulhoso" de seu experimento. E ouviu dos pares que era "irresponsável" e sua pesquisa, "inaceitável". As autoridades chinesas, que já haviam anunciado a abertura de uma investigação, proibiram que o geneticista e sua equipe continuem o trabalho.

Para entender por que a comunidade cientifica se voltou contra He Jiankui, é preciso fazer uma retrospectiva dos erros cometidos pelo pesquisador.

He não submeteu sua pesquisa à revisão de outros pesquisadores, como é de praxe na comunidade cientifica. Mas contratou um assessor de comunicação que contatou jornalistas da grande imprensa e veículos científicos para contar do experimento.

He também gravou vídeos no YouTube para anunciar sua conquista no dia em que começava o Congresso. No evento, ele pediu desculpas "pelo vazamento dos resultados antes de uma revisão científica". Já era tarde demais, a plateia recebeu com ceticismo o pedido de desculpas.

Outro equivoco grave cometido por He foi não ter pedido permissão às autoridades científicas chinesas para conduzir o experimento. Nem mesmo a sua universidade, a Universidade do Sul de Ciência e Tecnologia da China, estava completamente informada de suas intenções.

Alguns de seus colaboradores sequer sabiam que estavam trabalhando com voluntários infectados com o vírus da Aids. Por fim, os casais que se voluntariaram para participar do estudo foram parcialmente informados dos objetivos da pesquisa. O documento de autorização que preencheram apresenta como objetivo da pesquisa a busca de uma vacina contra a síndrome derivada do contágio por HIV, e não a manipulação genética.

He afirmou que informou exaustivamente aos colaboradores e casais dos objetivos de seu experimento. O geneticista disse que sete casais participaram da pesquisa, resultando em 30 embriões e, destes, 70% foram editados. He também deixou claro que existe ainda um terceiro bebê a caminho, mas em uma gestação bem inicial.

Em relação a possíveis próximos experimentos, He afirmou que estão pausados devido às atuais circunstâncias.

A polêmica rendeu um posicionamento do criador da tecnologia de edição de genes, o CRISPR, repreendendo a atitude. Segundo a CCTV, Xu Nanping, membro do grupo do partido e vice-ministro, afirmou que o Ministério da Ciência e Tecnologia da China se opôs firmemente à edição genética de crianças e tomou medidas para suspender as atividades científicas e tecnológicas dos responsáveis.

Até o momento, não está claro se He responderá judicialmente sobre o caso.

O problema da edição de embriões

Com a polêmica, surgiram diversos questionamentos sobre as possíveis consequências da edição de gene dos embriões. Resumindo, a equipe do cientista usou a tecnologia CRISPR para remover o gene CCR5, que permite que o vírus do HIV infecte outras células. Com isso, teoricamente, os bebes ficam imunes ao contágio pelo vírus HIV.

Apesar das gêmeas que nasceram serem aparentemente normais, existe algo chamado Mosaicismo. Se os óvulos começaram a se dividir antes da edição genética, as gêmeas poderiam carregar uma mistura de células com e sem a edição. Os resultados apresentados por He dão a entender que isso aconteceu, de acordo com o NewScientist.

A consequência do mosaicismo é que os testes com algumas células podem não ser o suficiente para certificar a saúde do embrião e também porque elas podem não ser imunes ao HIV no final das contas, invalidando todo o experimento.

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