Cai o número de rodadas de investimento em startups em estágio inicial

Ao mesmo tempo, a quantidade de recursos investidos é maior e o valor de mercado das empresas subiu; entenda por que os investidores mudaram de estratégia

Cai o número de rodadas de investimento em startups em estágio inicial

Ao mesmo tempo, a quantidade de recursos investidos é maior e o valor de mercado das empresas subiu; entenda por que os investidores mudaram de estratégia

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Os investimentos em startups podem estar passando por uma mudança importante, avalia Ian Hathaway, economista especialista em startups. Segundo ele, de uns anos para cá, há menos rodadas de investimento em startups em estágio inicial, também conhecidas como early stage, mas ao mesmo tempo a quantia de capital é maior e os próprios valores de mercado das empresas subiram.

As causas para isso podem estar associadas a diversos motivos, incluindo um verdadeiro revés do mercado ou até a vontade de investidores de terem participações mais relevantes já no começo da empresa, uma vez que rodadas avançadas tendem a diluí-las. De um ponto de vista de eficiência de capital, isso pode ser positivo, significando que o funil de investimento anjo e semente se alargou mais do que os investidores futuros poderiam acomodar de forma sustentável.

Menos negócios em estágio inicial

Os gráficos abaixo mostram a atividade dos negócios de risco e o capital investido anualmente de 2009 até o presente (os valores para 2018 são estimativas, já que o ano não está concluído). As negociações são divididas em cinco etapas: anjo/ semente, Série A, Série B, Série C e Série D ou posterior (Série D +). Para cada etapa do desenvolvimento da startup, há diferentes perfis de investidores que são atraídos para o negócio.

Empresas em fase de “ideação e desenvolvimento”, geralmente acessam capital de fomento, que costuma vir de reserva pessoal, amigos, familiares e, eventualmente, de investidores anjo (investem de US$ 10 mil a US$ 100 mil). Já empresas no segundo estágio de desenvolvimento, chamado de “prova de conceito” (teste do modelo de negócio), atraem capital semente (investimento de US$ 100 mil a US$ 500 mil). No estágio seguinte de maturidade, conhecido como “decolagem”, começam a aparecer os investidores dos fundos de capital de risco, os fundos de “venture capital” (cujos investimentos geralmente variam de US$ 500 mil a US$ 2,5 milhões). Por último, na fase mais madura, chamada justamente de “maturidade”, a startup atrai os grandes fundos de private equity (acima de US$ 2,5 milhões em investimento) .

Portanto, da análise dos gráficos abaixo, a primeira conclusão é que, em sucessivas rodadas de investimento, os investidores estão menos atraídos por startups em fase inicial, de ideação e desenvolvimento", e estão mais dispostos a colocar dinheiro em negócios mais maduros, cujo modelo de negócio já foi posto à prova.

Conclusão: Depois das empresas serem financiadas na fase semente e, em menor quantidade na Série A, seguida da Grande Recessão, o número de negócios declinou muito depois de 2015. Já para Séries B e C, as negociações estão fracas ou baixas e as ofertas da Série D também caíram após o pico de 2015. No entanto, em cada caso a quantidade de capital cresceu de forma notória.

Ofertas maiores e mais capital investido

A conta é simples: menos transações, porém, com valores maiores levam a empresas levantando mais capital. Dessa forma, na análise, Hathaway organizou o gráfico em relação ao tamanho dos negócios em cada rodada por várias distribuições estatísticas: a média, a mediana (50 por cento) e faixas para diferentes alcances (10-25, 25-75 e 75-90). Como mostram os dados, os tamanhos das ofertas aumentaram em cada série, mas foram mais altos na Série A, seguidos por anjo/semente.

Esses investimentos constroem uns aos outros conforme as empresas vão acumulando novas rodadas de captação. Os gráficos abaixo mostram as distribuições estatísticas para o patrimônio total levantado (cumulativo) a cada rodada (anjo / semente até a Série D +), demonstrando um padrão similar: o capital investido é alto em cada série e os aumentos agregados estão sendo conduzidos no final da distribuição (como demonstrado pela maioria estando bem acima da mediana e tipicamente em torno ou acima do 75).

O valor de mercado das startups estão subindo também

Uma tendência muito similar é observada entre as séries de investimento para valores de mercado (antes e depois do capital) e com valores de empresas aumentando ao longo do gráfico. Geralmente, os valores de mercado também estão aumentando mais no topo da distribuição (que está levantando a média), com exceção do estágio anjo/semente, quando a distribuição de valores de mercado de fato apertou um pouco nos últimos anos.

Múltiplo de empresas de estágio inicial sofreram um colapso

Os dados apresentados até agora foram claros: menos empresas recebendo investimento, mas as que recebem conseguem mais capital e, consequentemente, valores de mercado maiores. No entanto, o complicado da equação é que os valores de mercado não estão crescendo tão rápido quanto o capital é levantado nos estágios iniciais (especialmente no anjo/semente e Série A). Como resultado, os múltiplos das empresas (valor de mercado depois do investimento sobre o total da equity levantado) estão em colapso nos estágios iniciais.

Como é possível observar, esse é somente o caso para investimento anjo/semente ou Série A. Os múltiplos das empresas nas Séries B e C permaneceram sem alteração ou então com um tímido aumento e da Série D em diante começa um aumento acelerado de fato.

Investidores de estágio inicial estão comprando uma maior participação

Sabendo que o capital investido está crescendo rapidamente em um ritmo mais acelerado do que o aumento dos valores de mercado, a conclusão é que investidores estão negociando uma maior participação das empresas em estágios iniciais. Segundo Hathaway, é provável que as avaliações estejam em baixa, porque os investidores estão assumindo uma participação maior e não o contrário.

Nos estágios remanescentes, as participações dos investidores estão relativamente estáveis ou até caindo um pouco. No mínimo, eles não estão aumentando e a distribuição de ações adquiridas parece estar diminuindo.

Fundos semente estão tendendo para baixo desde 2014

Até agora, a evidência aponta para condições do lado da oferta explicando a desaceleração em negócios de estágio inicial – isso não é toda a história, claro, mas os dados parecem sugerir que esse é um fator importante. Como mais um aspecto a ser analisado, Hathaway chama atenção para a arrecadação de fundos por época e tamanho do fundo.

Novamente, a evidência revela que enquanto o investimento no geral tem diminuído depois de um período de rápida aceleração, a baixa foi ótima para os pequenos fundos – focados em empresas de estágio inicial. De fato, para o grupo de menos de US$ 100 milhões, o número de arrecadação é baixo – o que é consistente com o resto dos dados.

O que isso tudo significa?

As causas para menos empresas recebendo investimentos maiores podem acontecer por diversos motivos, incluindo um verdadeiro revés do mercado ou até a vontade de investidores de terem participações mais relevantes já no começo, uma vez que rodadas avançadas tendem a diluí-las.

Mas isso não é tudo: o fato que as empresas estão levantando mais capital também aponta para fatores de demanda e tecnologia também. No entanto, a história de muito capital para poucos investimentos, pelo menos no estágio inicial, parece ter virado.

Por fim, Hathaway traz à tona a questão a possibilidade de competição de outras regiões que não as tradicionais (como Nova York, São Francisco ou Boston). Segundo ele, acabamos de passar por uma fase de experimentação, mas a partir disso é importante prestar atenção na escala – mesmo nos estágios iniciais. No mercado ganhador, as apostas e a pressão para conquistar os melhores são maiores (e também os mais experientes, particularmente em escala). Talento global só aumentará, mas os recursos estão localizados em m pequeno número de cidades.

Dessa forma, essas cidades estariam em um ponto de virada de visibilidade para startups atraírem e reterem talentos de maneira acessível e para profissionais experientes com uma família jovem viverem de forma confortável. Para ele, um novo modelo de inovação distribuída provavelmente tomará forma - um meio pelo qual as equipes fundadoras ou de liderança podem estar localizadas em uma cidade, enquanto o talento técnico é colocado em outro lugar. E, pelo que parece, essa tendência já está bem encaminhada.

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