Paul Romer ganha Nobel por pesquisa em tecnologia e inovação

O prêmio foi anunciado nesta segunda-feira; Romer dividiu o prêmio com o economista William Norhaus, focado em sustentabilidade ambiental

Paul Romer ganha Nobel por pesquisa em tecnologia e inovação

O prêmio foi anunciado nesta segunda-feira; Romer dividiu o prêmio com o economista William Norhaus, focado em sustentabilidade ambiental

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Na manhã desta segunda-feira (8), Paul Romer acordou com uma ligação desconhecida. Ele achou que seria engano até que olhou de onde vinha a ligação: Suécia. Então o professor de economia retornou a chamada e, após algum tempo de espera, descobriu que havia ganhado um Prêmio Nobel de Economia. A informação é do New York Times.

Paul Romer, 62 anos, foi líder do Banco Mundial e um dos precursores da teoria do crescimento endógeno. Em seus estudos, o economista – que foi professor também nas Universidades de Stanford e Berkeley -, discutiu como os regulamentos e políticas podem incentivar as inovações tecnológicas e a prosperidade a longo prazo. Hoje, o pesquisador é professor e diretor fundador do Projeto de Urbanização na New York University, mas também fez uma passagem no universo empreendedor ao fundar a Aplia, empresa de educação que busca aumentar o engajamento de alunos nas salas de aula.

Em um artigo focado na teoria endógena da tecnologia, o economista escreveu três premissas sobre o crescimento econômico. Para ele, a primeira é que o avanço da tecnologia está no coração de qualquer crescimento econômico. “A mudança tecnológica traz incentivos para o acúmulo contínuo de capital, e, juntos, o acúmulo de capital e a mudança tecnológica são responsáveis por grande parte do aumento da produção por hora trabalhada”, descreve em uma pesquisa.

Romer acredita que os governos podem fomentar a inovação tecnológica ao investir em pesquisas, desenvolvimento e ao escrever leis de patente que tragam recompensas por novas ideias. O economista acredita que se deve evitar a monopolização de ideias, apostando na globalização e no compartilhamento do conhecimento.

Mais do que a inovação tecnológica, o professor acredita que uma economia com grande capital humano, e bem capacitado, experimenta um crescimento mais rápido. “Esse artigo sugere que níveis baixos de capital humano podem explicar porque o crescimento é pouco desenvolvido em economias subdesenvolvidas fechadas e porque uma economia menos desenvolvida com uma grande população pode se aproveitar ao fazer uma integração econômica no resto do mundo”, diz na conclusão do artigo “Endogenous Technological Change”. Dessa forma, o conhecimento – através da inovação tecnológica -, o capital humano e social se tornam motores de crescimento.

Em um outro artigo, no qual discute o crescimento econômico por si só, o professor Romer utiliza o exemplo da cidade de Shenzen, na China. A cidade experimentou um crescimento exponencial ao apostar na inovação – e se tornou um hub tecnológico global. Alguns motivos possibilitaram essa transformação: desde o aumento do PIB per capita ao crescimento da população. “Nós frequentemente perdemos de vista o quão importantes pequenas mudanças em uma taxa de crescimento comum podem ter”, escreve.

Entre as mudanças que sentiu no país, Romer citou que, em sua infância, a China era reconhecido como um país subdesenvolvido. “Diziam que eu deveria comer meu jantar porque ‘as crianças estão morrendo de fome na China’. Um efeito positivo é que pessoas de outros países com pequenos PIB per capita estão se perguntando ‘Se a China fez isso, por que não podemos?’”, descreve. A transformação de Shenzhen foi um resultado de seu crescimento exponencial, um produto da inovação tecnológica e da ligeira abertura para outros mercados, em comparação com outras cidades do país.

PIB per capita de Shenzen, em gráfico de Paul Romer

“A experiência na China mostra que o aumento na taxa de PIB per capita coincide com um aumento na urbanização. A correlação não prova uma conexão causal, mas eles provam uma conexão que teóricos de crescimento deveriam entender”, escreveu no artigo. Para os países que estão em desenvolvimento, ele recomenda que a prioridade seja a de encontrar estratégias que países desenvolvidos já utilizaram e que trouxeram uma maior qualidade de vida.

 

Crescimento da população em Shenzen, em gráfico de Paul Romer

O prêmio Nobel

O professor William D. Norhaus, professor na Universidade de Yale, também ganhou o  prêmio Nobel de Economia junto à Romer. O americano de 77 anos foi escolhido devido a seu trabalho focado nas consequências econômicas do aquecimento global - uma de suas propostas é que governos de todos os países taxem as emissões de carbono. Juntos, os americanos dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas - aproximadamente US$ 987 mil. Já o ganhador do prêmio Nobel de 2017 foi Richard H. Thaler, reconhecido por sua teoria sobre a racionalidade humana e o impacto de comportamentos de consumidores e investidores.

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