Redescobrimos o propósito de vida ao abrir o nosso próprio negócio

Caroline Santis e Pedro Santos abriram mão de seus cargos executivos para montar o que definem como um centro de bem estar para o corpo e a alma

Redescobrimos o propósito de vida ao abrir o nosso próprio negócio

Caroline Santis e Pedro Santos abriram mão de seus cargos executivos para montar o que definem como um centro de bem estar para o corpo e a alma

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Começar um negócio próprio, muitas vezes, significa abrir mão de uma carreira promissora como funcionário em uma grande empresa. Foi exatamente isso o que aconteceu com Caroline Santis e Pedro Santos. Em 2014, o casal decidiu abandonar seus respectivos cargos na Danone para criar o Jiwa, um centro de bem estar com aulas de ginastica funcional, yoga, pilates, entre outras atividades. Na época, Pedro era gerente de finanças e Caroline, gerente de marketing em uma multinacional francesa com sede em São Paulo. Apesar de estarem progredindo na carreira, possuíam planos de futuro desconectados com os planos que a empresa tinha para eles. “Nós queríamos trabalhar com algo que nós nos identificássemos", conta Pedro.

Durante uma viagem de férias para a Ásia, o casal decidiu pedir demissão assim que retornasse ao Brasil. “No dia que a gente voltou pedimos demissão, logo pela manhã. Se não fizéssemos isso no primeiro dia, seríamos sugados pelo trabalho e perderíamos a coragem", diz Caroline. Pouco antes de colocar os planos em prática, Pedro recebeu uma proposta tentadora – sua chefe estava com a sua carta de promoção assinada. Mesmo com a oportunidade, o casal decidiu se desligar da empresa e, já no início de 2015, começaram a pesquisar segmentos para o futuro negócio.

“Fomos atrás de segmentos que andavam bem independentemente da crise – mas precisava ser algo que a gente se identificasse também. Buscamos três áreas: bem-estar, pet e beleza, que eram tendências globais”, explica Pedro. Hoje, cerca de três anos depois, Pedro e Caroline são donos de uma espécie de refúgio dentro da cidade de São Paulo. Um espaço criado para que as pessoas possam cuidar do corpo, da mente e da alma. Mas não foi tão simples assim - no total, o casal demorou quase um ano para colocar a ideia no papel.

A importância do planejamento

O casal pesquisou sobre o mercado de bem-estar para entender exatamente o que eles queriam e o que não queriam. "A gente fez isso porque quando você decide empreender logo percebe que há um mundo de possibilidade. As pessoas se sentem perdidas e isso não foi diferente com a gente", conta Caroline. A primeira decisão que o casal tomou durante o período de planejamento é que explorariam o mercado de bem estar, mas não queriam abrir uma franquia de uma grande rede de academias. “Queríamos um lugar com atendimento personalizado, um lugar pequeno e sem disputa de aparelho”, conta Caroline. Com o conceito em mente, o casal começou a conversar com amigos para testar a ideia e lapidar o plano de negócios com base nestas pesquisas.

Com o segmento do negócio definido, Pedro e Caroline decidiram fazer um sabático de quatro meses antes de se jogar de cabeça no mundo do empreendedorismo. “Quando voltamos do sabático, arregaçamos as mangas e nos dedicamos ao projeto. Trouxemos ideias de fora para tudo que temos no Jiwa hoje”, conta a publicitária. “Passamos em Bali e decidimos que essa seria nossa inspiração. O Jiwa seria um refúgio em São Paulo com a inspiração em Bali. Na região, vimos lugares com a mesma combinação que o Jiwa tem hoje: yoga e crossfit com pegada zen. A partir desse nosso conceito criativo, começamos a desenhar nossos diferenciais", completa Pedro.

O casal demorou quase um ano para colocar o conceito no papel. "Planejamos, criamos o plano de negócios, chegamos em uma equação de valor que fazia sentido e, em novembro de 2015, começamos a procurar o imóvel", diz Pedro. Além de procurar imóveis, o casal fez toda sua definição de marca, identidade visual, análise de modalidade e proposta de valor. Um ano após escolher a localização do imóvel, o casal conseguiu lançar o Jiwa para o público, em março de 2017.  “Apesar de ter demorado muito, são detalhes que nos tornam diferentes de outras academias”, conta Caroline. Por que do nome Jiwa? Jiwa em Bahasa, a língua oficial de Bali, significa alma. "É um nome pequeno, fácil e o significado dele é muito importante", conta a publicitária.

Os detalhes do negócio

O esforço do casal hoje é para conquistar clientes, para isso eles oferecem aulas testes, com um valor reduzido, para atrair o público. O Jiwa também possui um plano introdutório, no qual as pessoas podem usufruir do espaço durante um mês e por uma fração do preço de tabela. Apesar do espaço zen, quem compra um pacote no Jiwa também encontra tecnologia. Para facilitar a vida do aluno, que muitas vezes têm uma rotina corrida, o casal permite que as pessoas agendem aulas pelo aplicativo. "Garantir a aula e um no momento no Jiwa precisa ser algo fácil e rápido para que o aluno chegue com a cabeça tranquila", diz Pedro.

O Jiwa também aposta no atendimento diferenciado como um diferencial em relação aos concorrentes. "Aqui aluno se chama pelo nome. Prezamos por uma relação próxima e genuína entre funcionários e alunos, e deixamos isso bem claro já no treinamento", explica Caroline. Para colocar isso em prática, o casal procura contratar pessoas comunicativas e que tenham disposição para ouvir. "Competências técnicas a gente desenvolve, mas essas comportamentais é muito difícil de modificar".

As diferenças em relação ao mundo corporativo

Quando questionados sobre a grande diferença entre o mundo corporativo e a vida de empreendedor, Caroline e Pedro apontam a segurança e estabilidade financeira como o fator principal. "Na empresa estabelecida, temos o salário que cai todo mês, independente do esforço. Mas quando você começa a empreender, você não tem isso", diz Pedro. Porém, por outro lado, o administrador afirma que nenhum dinheiro traz a paixão pelo negócio.  Segundo ele, quando uma pessoa acerta no que está fazendo, a segurança financeira fica em segundo plano. Além da segurança financeira e da paixão pelo negócio, Caroline também aponta a rotina do empreendimento como uma das grandes diferenças. No mundo corporativo, muitas vezes, as pessoas trabalham sob uma demanda ou um projeto - já em um negócio próprio, segundo ela, o empreendedor é o grande gerador de demanda.  "Se eu não falar nada e não gerar demanda aqui no Jiwa, nada acontece", diz.

De acordo com a publicitária, também há um outro fator que diferencia o mundo corporativo e o empreendedorismo: a velocidade com que as coisas acontecem. "Quando você está em uma empresa grande, tudo que você faz você tem um resultado rápido porque você tem ajuda de uma empresa enorme. Em um negócio próprio não, você tem que ter paciência porque as pessoas levam um tempo para conhecer", conta. "A própria resposta do consumidor é diferente".

Os desafios de empreenderno Brasil

De acordo com Pedro, principalmente no cenário brasileiro, é importante ter resiliência na hora de montar seu próprio negócio. "Parece que é tudo feito para você desistir e não abrir um negócio, mas todos os empreendedores passam por isso em algum momento. É tudo muito moroso, complicado e caro no Brasil, mas se se sua ideia é tão bacana e poderosa, não tem porque desistir", completa Caroline.

Pedro conta, inclusive, que várias vezes eles pensaram em desistir. "O início de uma empresa é algo difícil, dá muito medo", diz. "Por várias vezes você volta a pensar em trabalhar no mundo corporativo por causa da segurança, é como voltar para o colo da mãe". Quando isso acontecia, segundo Caroline, o casal comemorava as pequenas vitórias - era tudo uma questão de paciência, dizia ela.

Como a jornada do empreendedor é solitária, o administrador também aconselha que os empreendedores brasileiros procurarem pessoas que possam ajudar a tomar decisões sensatas. "Networking é fundamental", concorda Caroline. Além disso, o empreendedor precisa se preparar para trabalhar muito. Segundo Pedro, ele hoje trabalha muito mais do que quando fazia parte de uma grande empresa. Segundo Caroline, no mundo do empreendedorismo a pressa também é a grande inimiga. "Não adianta a pessoa achar que, saindo de uma empresa, ela vai abrir um negócio em dois meses", defende. Para ela, é melhor levar um ano estruturando uma ideia e criando uma rede de pessoas do que agir na pressa.

"O período pré-funcionamento é mais importante do que depois que você abre as portas. Se você planeja, a chance do seu negócio ser bem-sucedido é muito maior. Agora se você age na pressa, só para não ficar sem salário, tem muito mais chances de dar errado", afirma.

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