À medida que a IA se torna mais humanizada, ela preenche lacunas sociais, mas até que ponto pode substituir as relações humanas?
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5 min
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4 abr 2025
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Atualizado: 4 abr 2025
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O homem é um animal social. Essa afirmação não é minha, mas sim de Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga que defendia a ideia de que os seres humanos precisam de outras pessoas para alcançarem a plenitude. Ou seja, a nossa sociabilidade é uma pauta que atravessa séculos de reflexões e estudos. Das pólis gregas às redes sociais digitais, a necessidade de conexão molda nossa forma de viver, trabalhar e evoluir.
Agora, se a conexão tem um impacto tão grande nas nossas vidas, a desconexão parece ter um impacto muito maior. Não à toa, o cirurgião-geral dos Estados Unidos, Vivek Murthy, comparou o impacto na mortalidade de estar socialmente desconectado com o ato de fumar 15 cigarros por dia.
O jornal The Lancet, inclusive, publicou um artigo sobre o tema e afirmou que conexões sociais ruins estão associadas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, doenças infecciosas, função cognitiva prejudicada, depressão e ansiedade. Isso mesmo: a solidão faz mal pra saúde. Por isso, ela virou uma das grandes preocupações do século e tem tido impactos até em campos mais específicos, como na relação das pessoas com a inteligência artificial.
Um estudo da OpenAI sugeriu que os usuários mais frequentes do ChatGPT tendem a ser mais solitários e mais dependentes da ferramenta de IA. Eles observaram que um pequeno número de usuários se envolve emocionalmente com o chatbot (por volta de 4 mil), mas esses estão entre os usuários mais frequentes.
De acordo com pesquisadores do MIT Media Lab, à medida que agentes conversacionais baseados em grandes modelos de linguagem se tornam mais humanizados, os usuários começam a vê-los como companheiros, e não apenas como assistentes. Junta-se isso aos altos índices de isolamento social intensificados pela pandemia de Covid-19 e temos um cenário em que a tecnologia passa a ocupar um papel ainda mais significativo na vida das pessoas.
O impacto da solidão não se dá apenas na saúde física e emocional das pessoas, mas também movimenta e molda dinâmicas de mercado. Nós já falamos anteriormente, por exemplo, sobre como a solidão pós-pandemia foi um dos motivadores para o boom do mercado pet no Brasil. A sensação que fica é de que as pessoas estão buscando preencher suas lacunas sociais sem precisar sair de casa e a inteligência artificial está desempenhando um papel fundamental nesse processo.
Mas a questão é: até que ponto podemos usar a tecnologia para suprir nossas necessidades emocionais sem que isso nos afaste ainda mais das interações humanas? Se, por um lado, a inteligência artificial pode oferecer companhia e até um certo conforto emocional, por outro, ela não substitui o contato real e a troca que só as relações humanas proporcionam.
Os avanços tecnológicos continuarão transformando nossas vidas e a forma como nos relacionamos, mas cabe a nós equilibrar esse uso. Afinal, a solidão pode ser um problema moderno, mas a solução continua sendo tão antiga quanto a própria humanidade: cultivar vínculos reais e fortalecer nossas redes de apoio.
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Produtora de conteúdo multimidia que escreve sobre carreira, negócios e tecnologia na StartSe.
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