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Comunicação e saúde mental: o que líderes precisam saber sobre a NR-1 e segurança psicológica

A nova Norma Regulamentadora reforça a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais. E a comunicação eficaz pode ser a maior aliada para construir segurança psicológica e bem-estar no trabalho.

Comunicação e saúde mental: o que líderes precisam saber sobre a NR-1 e segurança psicológica

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, Colunista

8 min

2 abr 2025

Atualizado: 2 abr 2025

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Confesso que o assunto de hoje parecia um pouco burocrático demais para virar um artigo. NR-1? Norma Regulamentadora? Saúde mental no ambiente corporativo? Sim, o tema tem cheiro de RH e gosto de "compliance" — eu sei. Mas após assistir à palestra de uma cliente minha sobre a NR-1, tive a certeza de que a comunicação está totalmente ligada ao tema!

Afinal, o que é a NR-1?

A NR-1 é uma Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho que foi atualizada recentemente para incluir explicitamente o cuidado com a saúde mental e emocional dos colaboradores. Essa mudança veio em resposta ao aumento significativo dos casos de burnout, ansiedade e depressão no ambiente de trabalho, evidenciando que saúde mental é, também, responsabilidade da empresa. A norma agora obriga empresas a identificar, monitorar e prevenir riscos psicossociais relacionados ao  ambiente de trabalho, como pressão excessiva, relações difíceis, comunicação 
deficiente, assédio moral e qualquer fator que prejudique o bem-estar psicológico dos
funcionários.

Essa nova versão da NR-1 entrou oficialmente em vigor em janeiro de 2024. Sim, ela já está valendo! Isso significa que todas as empresas precisam, agora, comprovar que
estão tomando medidas concretas para garantir um ambiente mentalmente saudável.

Essa semana mesmo, duas grandes amigas que trabalham no mundo corporativo receberam notas abaixo do que esperavam em suas avaliações. Ambas foram surpreendidas porque não perceberam o que exatamente deveriam ter melhorado e não receberam qualquer alerta ou orientação prévia sobre o que não estava indo bem. Essa falta de feedback claro e antecipado exemplifica exatamente as falhas comunicacionais que geram ansiedade e insegurança. 

Não foi a nota em si que afetou tanto a saúde mental delas - nos dois casos gerou um abalo emocional significativo, causando ansiedade - mas sim a falta de clareza e a sensação de que não havia segurança para falar abertamente sobre dificuldades, possíveis falha ou dúvidas.  Essa falta de clareza do que está acontecendo faz com que fiquemos elucubrando sobre as reais intenções do líder ou gestor: é para que eu melhore ou para me penalizar?

Você consegue perceber agora a conexão com comunicação? Pois é exatamente aí que a sua liderança pode fazer toda diferença.

Quais são as responsabilidades das empresas?

Empresas precisam:

  • Realizar avaliações regulares sobre riscos psicossociais.
  • Criar estratégias claras para prevenção e redução desses riscos.
  • Garantir um ambiente de trabalho seguro e psicologicamente saudável.
  • Oferecer canais seguros e eficazes para denúncias e conversas sobre 
    saúde mental.
     

A comunicação aberta e empática não é só falar bem ou escutar atentamente—é criar conexão real. Estudos recentes mostram que líderes que se comunicam com empatia e transparência reduzem drasticamente os níveis de estresse e ansiedade das suas  equipes. Transparência constrói confiança. Confiança constrói segurança 
psicológica.

O que você pode fazer como líder?

Comece praticando o que eu chamo de "ressonância"—uma escuta ativa que permite a você absorver e compreender genuinamente o que está acontecendo na equipe. Nada de fingir que está ouvindo enquanto responde mensagens no celular ou pensa no próximo compromisso. O foco precisa ser total.

Dê feedbacks frequentes e sinceros, não apenas de forma burocrática cumprindo prazos e processos determinados pela empresa. Seja vulnerável ao demonstrar suas próprias preocupações e percepções. Crie um espaço seguro para conversas reais sobre intenções, anseios e dificuldades - técnicas e emocionais - e fale sobre saúde mental E não, não estou falando de criar uma sala zen ou uma palestra motivacional. Estou falando de conversas verdadeiras, olho no olho, sobre como cada um realmente está se sentindo.

Erros que sua comunicação não pode cometer (e como isso afeta a NR-1)

Evitar esses erros não é só uma questão de boa liderança—é uma necessidade para cumprir as exigências da NR-1. Afinal, práticas comunicacionais inadequadas 
aumentam os riscos psicossociais e podem acarretar sanções legais, além de 
prejudicar seriamente a saúde mental da equipe.

Seja honesto/a: você já cometeu algum desses erros?

  • Comunicar-se de forma vaga e gerar insegurança na equipe.
  • Minimizar preocupações ou dificuldades das pessoas, mesmo que sem 
    intenção.
  • Protelar feedbacks para evitar o conflito, guiando-se apenas pelo 
    protocolo e não pela necessidades.
  • Exagerar no otimismo, ignorando problemas reais (positividade tóxica).
     

Essas práticas silenciosamente podem fragilizar a segurança psicológica e, 
consequentemente, a saúde mental no trabalho.

Orientações práticas (e óbvias) para começar agora

  • Treine comunicação empática:  busque entender como pensa quem 
    pensa diferente de você, se interesse pelo outro e perceba como se 
    sente. E não custa lembrar que empatia é uma habilidade treinável.
  • Tenha espaços regulares e seguros para conversar abertamente sobre 
    sentimentos: para conversar sobre sentimentos, é necessário conhecê-
    los. Estude-os. Primeiro na teoria, depois em si.
  • Compartilhe ferramentas para solucionar os conflitos de comunicação e
    que diminuam os ruídos de comunicação. Faça treinamentos para a 
    equipe, alinhando o vocabulário e e fortalecendo uma cultura de 
    segurança.

Para fechar nosso papo

A NR-1 não precisa ser só mais uma obrigação corporativa. Ela pode ser uma 
oportunidade de você, como líder, se conectar de verdade com sua equipe. Afinal, cuidar das pessoas nunca foi um tema burocrático; é uma missão diária, feita de 
conversas honestas e escuta real. Comunicação saudável gera equipes saudáveis. E equipes saudáveis são, sempre, equipes mais felizes, produtivas e realizadas.

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Imagem de perfil do redator

Priscila é professora do WLP, formação internacional de impacto para lideranças femininas, da StartSe em parceria com a Nova SBE. Ela também é fundadora da Versa, empresa referência em desenvolver habilidades para comunicação em treinamentos corporativos, com foco em Altas-Lideranças e C-Levels. Com mais de 15 anos de experiência, ensina líderes como se tornarem porta-vozes de sua melhor versão. Além de atriz e professora de teatro, possui pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, bem como certificação em neurociência pela PUC-RS

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