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O que blocos de rua e cultura corporativa têm em comum?

Do Carnaval à empresa, a construção de uma identidade forte exige propósito, ambiente favorável e muita energia coletiva.

O que blocos de rua e cultura corporativa têm em comum?

Foto Pexels

, redator(a) da StartSe

9 min

28 fev 2025

Atualizado: 28 fev 2025

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O Carnaval de 2025 está começando e essa festa vai até domingo. Nós, brasileiros, temos certa dificuldade de dar tchau para a maior festa do planeta. Ruas cheias, bloquinhos tomando conta e a energia típica dessa época do ano se fazendo presente por todos os cantos.

É uma festa que acontece de várias maneiras, em lugares diferentes, cada um com suas peculiaridades. 

Salvador tem seus trios elétricos gigantes, Recife tem o Galo da Madrugada, o Rio tem seus blocos e os desfiles na Sapucaí. São Paulo, que até outro dia não era referência em carnaval, tirando os desfiles no Sambódromo, viu seus blocos de rua explodirem nos últimos anos. Deu até briga recente no Twitter, com algumas prefeituras se alfinetando.

Quando eu era mais novo, nunca fui muito de Carnaval. Para mim, era um feriado prolongado para ir pra praia e desculpa para enforcar o resto da semana e faltar na aula. 

Mas em 2015, um amigo me perguntou: “você já foi em bloco de rua? Eu acho que é sua cara”. Não preciso dizer que fiquei apaixonado instantaneamente. Inclusive, em 2016, junto com alguns amigos, fundamos nosso próprio bloco, e de lá para cá, o Carnaval de Rua de São Paulo cresceu de maneira surpreendente, chegando a 767 blocos em 2025.

Analisando essa trajetória, minhas experiências como folião e organizador de bloco e os desafios que enfrento todos os dias na minha empresa para criar uma cultura corporativa sólida, comecei a enxergar alguns paralelos entre os dois mundos:

Cultura corporativa e blocos de rua florescem de maneira orgânica, mas o solo precisa ser preparado.

Nenhum bloco nasce grande. Ele começa com um grupo de pessoas que compartilham um propósito (ou, no caso, um gosto musical, estilo e disposição para a farra). Mas para ele de fato ganhar vida, o ambiente precisa ser favorável: apoio da prefeitura, infraestrutura, espaço para ocupar a rua. Novamente: se o solo não for fértil, as chances de fracasso aumentam.

A cultura corporativa segue a mesma lógica. Ela pode até surgir de forma espontânea em pequenas interações diárias, mas, sem um direcionamento e incentivos claros da liderança, ela não se sustenta. Criar um ambiente em que as pessoas sintam que pertencem, se engajem e motivem a colaborar exige que os responsáveis pela empresa plantem as sementes certas.

Nenhum bloco é igual ao outro. Cultura corporativa também não, porque nenhuma empresa é igual a outra.

Não existe um único modelo de Carnaval, e não existe uma única forma de cultura corporativa. Alguns blocos apostam em marchinhas tradicionais, outros trazem DJs. Há os que focam em nostalgia, outros em gêneros musicais ou temas específicos e aqueles que querem reinventar a festa.

Nas empresas, é a mesma coisa. Algumas têm uma cultura mais informal e colaborativa, outras são mais hierárquicas e processuais. O que importa não é copiar o modelo dos outros, mas entender qual cultura faz sentido para a realidade da empresa e das pessoas que fazem parte dela. O erro mais comum é tentar implementar práticas que não condizem com a identidade da organização porque “é assim que a empresa XPTO faz e olha como eles são bem sucedidos”.

Carnaval de rua é uma maratona, não uma corrida — cultura corporativa também

Uma coisa que aprendi organizando um bloco é que o Carnaval não começa e termina em um dia. O que o público vê são as horas de festa, mas o que ninguém vê são os meses de planejamento, alinhamento com órgãos públicos, estruturação de equipe e definição de trajetos. É um processo contínuo, que começa quando a festa anterior acaba.

Cultura corporativa também não nasce do dia para a noite. Você pode lançar valores no site da empresa, fazer apresentações e treinamentos, mas se não houver consistência e um reforço contínuo, nada disso vai pegar. É uma construção diária, que exige paciência e ajustes constantes. 

Agora, uma dica: vá com calma. Ninguém quer queimar a largada no primeiro bloquinho e perder o resto do Carnaval, não é?

Cultura corporativa precisa de aprendizado contínuo, como o Carnaval

Se olharmos para o Carnaval de São Paulo de 2015 e compararmos com o de 2025, são eventos completamente diferentes. Ao longo dos anos, houve aprendizado, desafios, mudanças e inovações. Algumas regras foram ajustadas, novos formatos foram testados, e a festa se adaptou.

Cultura corporativa segue o mesmo princípio: ela não pode ser estática. O que funciona hoje pode não funcionar daqui a cinco anos, com novos desafios que se apresentam. Empresas que não revisitam sua cultura, não ouvem feedbacks e não fazem adaptações acabam ficando para trás. Assim como no Carnaval, o segredo é aprender com os erros e ir construindo sobre os acertos.

O Carnaval de rua existe em um ecossistema de feedback constante — e a cultura corporativa também deveria ter.

Nenhum bloco existe sozinho. Ele faz parte de um ecossistema que envolve foliões, organizadores, prefeitura, órgãos de segurança, saúde, patrocinadores, comerciantes locais e muitos outros. Há atritos, é claro, mas, no fim das contas, todos têm o mesmo objetivo: fazer o Carnaval acontecer da melhor forma possível e que todos se divirtam.

Nas empresas, a cultura também não pode ser imposta de cima para baixo. Ela precisa ser construída em conjunto, com participação ativa dos colaboradores. Processos rígidos e desconectados da realidade da equipe geram desengajamento. O ideal é que exista um canal aberto de comunicação e que a cultura evolua conforme as necessidades das pessoas e do negócio. Manter os dedos no pulso coletivo é imprescindível.

Pra fechar, se tem uma coisa que o Carnaval ensina é que um ambiente bem estruturado e colaborativo gera resultados incríveis. O mesmo vale para a cultura corporativa: quando as condições são favoráveis, as pessoas se sentem pertencentes e contribuem ativamente para o crescimento da empresa e a festa e felicidade só tendem a crescer.

Agora, se me dão licença, vou aproveitar os últimos momentos de um carnaval que, como falei, é difícil de dar tchau.

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Imagem de perfil do redator

Com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e desenvolvimento de produtos digitais, liderou e desenvolveu projetos variados para startups e multinacionais. Hoje é co-founder e CTO da Pixel Roads, onde comanda a criação de soluções inovadoras em mídia digital, além de atuar como mentor em tecnologia e produto na FGV Ventures, ABStartups e outras organizações de empreendedorismo.

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