Co-fundador do Waze espera que Brasil se torne o principal mercado de novo App

O Engie, um dispositivo bluetooth para conectar o seu veículo ao smartphone, tem 250 mil downloads em todo o mundo - 90 mil apenas no Brasil

Co-fundador do Waze espera que Brasil se torne o principal mercado de novo App

O Engie, um dispositivo bluetooth para conectar o seu veículo ao smartphone, tem 250 mil downloads em todo o mundo - 90 mil apenas no Brasil

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Vida de empreendedor não é fácil, nem mesmo para os empresários bem-sucedidos. Isso por que o sucesso do passado não é garantia de repeti-lo no futuro. Em dezembro do ano passado, o co-fundador do aplicativo de geolocalização Waze, o israelense Uri Levine, trouxe para o Brasil o Engie, um dispositivo Bluetooth para conectar o seu veículo ao seu smartphone. Desde então, o Engie teve 90 mil downloads no país, mas conquistou apenas 30 mil usuários ativos. “Esse número é muito grande nesse setor, porque o aplicativo é de graça, mas o conector não é. É um pouco mais complexo do que apenas baixar um aplicativo”, justifica Levine em entrevista a StartSe.

Ainda assim, Levine acredita que o Brasil deve rapidamente ser o primeiro mercado para o novo App, ultrapassando Israel, seu principal mercado atualmente. “Esperamos que no final do ano o Brasil seja o mercado número um”, disse Levine. Além de Brasil e Israel, a empresa também atua no Reino Unido, Estados Unidos, Espanha e México. O número de downloads do aplicativo em todo o mundo é de 250 mil, sendo 90 mil apenas no Brasil.

Equipe do Engie

O App Engie permite que o dono do carro monitore eventuais problemas que possam aparecer no veículo e até mesmo verificar quando a bateria está acabando. O aplicativo foi desenvolvido para smartphones Android e iOS e para conectá-lo ao seu carro é preciso encontrar a entrada OBDII, disponível nos carros mais novos. Esta a entrada OBDII geralmente fica abaixo do volante. Depois de encaixá-la, é preciso ligar o carro e procurar o dispositivo Bluetooth no aplicativo da empresa. A partir de então, você verá dados da análise feita pelo dispositivo com os dados do seu carro. Se houver algum problema, um alerta é enviado a você por notificação.

Para Levine, o Engie é mais que um aplicativo, é um marketplace. “Se há um problema com o carro e você tem diversas ofertas de mecânicos e precisa escolher um deles, esse mecânico paga o Engie porque nós o mandamos para lá. É um modelo bem simples de marketplace, onde nós somos pagos por transações/comissões. As transações significam que você foi até o mecânico”, conta o fundador da startup.

Segundo o empreendedor, a startup nasceu para oferecer um novo produto para o motorista, para ajudá-lo a entender melhor o que está acontecendo no veículo bem como oferecer uma plataforma de serviços automotivos, permitindo avaliação dos mecânicos. “Ao fazer isso, nós trazemos informações não apenas para os motoristas, mas também chamamos os mecânicos para cooperarem na plataforma”, disse Levine.

Pelo aplicativo é possível ter revisões preditivas em tempo real, de forma que o motorista sabe a todo instante das condições de rodagem do seu carro, mas o que Levine reputa como diferencial da plataforma é a possibilidade de poder facilmente comparar preços dos serviços automotivos. “Estamos vibrantes com a possibilidade de fazer comparação de preços. Já existem dispositivos que fazem o diagnóstico, a General Motors possui isso nos Estados Unidos, é parte do serviço deles. O que estamos tentando fazer é ajudar os motoristas a tomar as melhores decisões de manutenção do veículo, na maioria dos casos, as montadoras estão mais preocupadas em esconder as informações, não em expô-las”, disse Levine.

Parceria com alguma montadora?

Levine conta que conversou com quase todas montadoras, mas que o cliente “número 1 da agenda do Engie é o motorista”. O empreendedor afirma que não irá compartilhar informações dos motoristas com montadoras, seguradoras e mecânicas, caso isso não beneficie o motorista. “Claro, vamos dizer que você quer vender o seu carro, e o Engie pode dizer que você não teve nenhum problema com o carro nos últimos dois anos, então é claro que você gostaria de usar essa informação, mas é uma decisão sua”, disse Levine.

A criação da startup

Uri Levine é empreendedor em série e, além do Waze e Engie, já fundou outras quatro startups - a FeeX, Zeek, FairFly e LiveCare. Ele também é membro do conselho diretor da Moovit, startup focada em soluções para o transporte público, e da HERE. Apesar de três das startups em que já se envolveu serem focadas em mobilidade, o empreendedor não tem um apreço específico pelo setor, mas por resolver problemas. “Eu sempre começo com um grande problema, algo que vale a pena resolver. Ir ao mecânico é um grande problema. Eu pergunto para algumas pessoas: ‘quais são as coisas que você mais odeia?’, e elas pessoas dizem que odeiam ir ao dentista e ir ao mecânico”, comentou Levine. A paixão por resolver problemas é tanta que o empreendedor frequentemente é visto com uma camiseta com a frase “Apaixone-se pelo problema, não pela solução”.

Falar com outras pessoas é necessário também para entender se o problema é pontual ou se tem uma grande relevância. “Se você for a única pessoa que tiver esse problema, recomendo que você vá a uma psiquiatra - será mais barato", recomenda Uri Levine. “Todas as outras coisas que fiz, eu comecei com um problema: eu odeio o trânsito, criei o Waze. No caso do Engie, estava bem óbvio que poderíamos empoderar o motorista com conhecimento”, explicou Uri Levine.

Neste caso, o problema identificado é que as montadoras não entendem a experiência digital dos usuários. “As montadoras estão se movimentando de forma muito lenta nesse espaço. Elas sabem como construir máquinas, não como criar uma melhor experiência para os usuários no celular”, finalizou.

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