LIDE Next traz Inteligência Artificial para dentro dos negócios

O evento, promovido pelo Grupo Doria, abordou o uso da tecnologia em setores como educação, saúde e automotivo

LIDE Next traz Inteligência Artificial para dentro dos negócios

O evento, promovido pelo Grupo Doria, abordou o uso da tecnologia em setores como educação, saúde e automotivo

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Aconteceu nesta quarta-feira (3), em São Paulo, o LIDE Next Inteligência Artificial, evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais sobre o uso da tecnologia em diversos setores. Fundada no Brasil em 2013, a organização possui atualmente 1.700 companhias e faz parte do Grupo Doria. O evento teve a Microsoft como empresa anfitriã e reuniu especialistas e executivos de grandes companhias. Ao longo do dia, foram realizados dois painéis principais e cinco simultâneos sobre a aplicação da Inteligência Artificial na educação, indústria, saúde, serviços e varejo.

A construção da IA e seus efeitos socioeconômicos

O primeiro painel do dia teve como palestrantes Rico Malvar, cientista chefe dos laboratórios de pesquisa da Microsoft e Eduardo Navarro, presidente da telefônica Vivo. “Muitas vezes falamos em transformação digital, mas acredito que estamos vivendo uma disrupção. É mais do que digital, é social. É uma mudança de vida”, disse Malvar no início de sua apresentação. O executivo acredita que todos os modelos de negócio estão se transformando, e isso é só o começo.

Além da Inteligência Artificial, tecnologias como Internet das Coisas, Cloud Computing e Edge Computing estão se tornando cada vez mais comuns. “Tudo em breve estará conectado. Nossa geladeira, nosso relógio, nosso sapato. Mas a importância não está na conexão, e sim nos dados”, ressaltou Malvar.

Rico Malvar, Cientista chefe dos laboratórios de pesquisa da Microsoft | Foto: Gustavo Rampini

Segundo o executivo, a Inteligência Artificial poderá gerar mais dados, novos empregos e produtividade, complementando a inteligência humana. “Existe uma hipótese de que a IA vai acabar com os empregos. Mas não é assim. Os empregos vão evoluir. Uma parte dos serviços maçantes será feita pela tecnologia”, disse.

Malvar citou como exemplo um sistema de IA desenvolvido pela Microsoft para agilizar a leitura de radiografias. “Hoje, o profissional precisa fazer um desenho em cima de um tumor para definir o tamanho. Nossa solução, que está em testes, faz essa tarefa e ajuda no diagnóstico, diminuindo o tempo total de 45 minutos para 15”.

Privacidade

Ainda no primeiro painel, outra questão levantada foi a privacidade das informações armazenadas pela Inteligência Artificial. Segundo Malvar, isso sempre foi extremamente importante para a Microsoft. “Todos os nossos pesquisadores são treinados para manter a proteção dos dados, garantindo que as informações sejam armazenadas com segurança, respeitando regulamentações”, disse.  

Já Navarro acredita que as empresas que não cuidarem da segurança morrerão. “Esse será o grande assunto da próxima década. Como somos uma empresa de telecomunicação, tudo passa pela nossa rede. Porém, no nosso site tem uma política de privacidade. Guardamos todos os dados cadastrais, mas jamais registramos por onde o cliente navegou”, explicou o executivo.

Implicações éticas sobre o uso da Inteligência Artificial

No segundo painel do dia, Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, e Lucas di Grassi, diretor-executivo da Roborace foram os palestrantes. “A questão não é o que os computadores podem fazer, mas o que devem fazer”, disse Bellizia. A executiva acredita que as questões éticas na Inteligência Artificial podem ser guiadas por alguns grandes pilares.

O primeiro deles é a equidade. Bellizia deu o exemplo de uma matéria publicada pelo The New York Times chamada “Facial Recognition is Accurate, if you’re a white guy”, que relata um algoritmo que reconhecia mais facilmente as feições de homens brancos do que mulheres ou homens de outras etnias. “Isso aconteceu porque provavelmente nem todas as pessoas foram consideradas. Nós precisamos levantar uma bandeira quando isso acontecer. Equidade é um dos princípios mais importantes para que essa desigualdade não se amplie”, disse a executiva.

Paula Bellizia, Presidente da Microsoft Brasil | Foto: Gustavo Rampini

Confiabilidade é o segundo pilar. “A tecnologia lida com tudo, mas acidentes e situações imprevisíveis acabam acontecendo. É muito importante que nos princípios do desenvolvimento da Inteligência Artificial, a proteção seja amplamente discutida”, disse Bellizia.

A executiva também ressaltou a importância de outros pilares, como privacidade e segurança, inclusão, transparência e responsabilidade. “O design da Inteligência Artificial precisa ser inclusivo. Além disso, as organizações precisam estar prontas para informar como aqueles algoritmos foram desenvolvidos. As pessoas já estão demandando isso”, explicou.

Tecnologia para o setor automotivo

Lucas di Grassi, da Roborace, deseja aliar a Inteligência Artificial aos carros. “Com a tecnologia, conseguimos melhorar a segurança. Hoje, ela está mais acessível, já que os sensores e os sistemas estão ficando cada vez mais baratos”, disse o executivo. Segundo ele, os carros autônomos são mais seguros, sustentáveis e baratos - e isso vai impulsionar a transição para esse novo modelo.

Assim, as montadoras que não se adaptarem a esse mercado, perderão competitividade. Pensando nisso, Grassi decidiu ir além e trazer a tecnologia para as pistas. “O setor sempre foi muito conectado com o desenvolvimento de inovações, até mesmo as mais complexas. Em 2015, percebemos que era hora de criar uma categoria de automobilismo que integrasse um sistema autônomo”, disse.

Para isso, desenharam um novo modelo de carro do zero que pudesse circular tanto com um piloto quanto de forma independente - o EVBOT. Todo o software foi desenvolvido para que  os motoristas pudessem testar e entender como o carro se comportaria em uma pista junto com dados em tempo real. Hoje já são seis veículos construídos.

Em 2016, Grassi decidiu desenvolver um carro ainda mais complexo e potente, que não precisasse de um piloto para rodar em uma competição. Assim nasceu o Robocar, o primeiro carro de corrida elétrico sem motorista do mundo. “Criamos o Robocar para acelerar o processo de desenvolvimento de tecnologias autônomas. Isso vai repercutir no setor”, explicou o executivo. Atualmente, a Roborace está preparando um campeonato previsto para começar em maio de 2019.

Foto: divulgação Roborace

Tecnologia na saúde

Nos painéis simultâneos, os participantes conheceram casos reais sobre a aplicação da Inteligência Artificial na educação, indústria, saúde, serviços e varejo. Na área da saúde, Fábio Ferraretto, líder de Operations & Supply Chain da Accenture no Brasil, afirmou que o uso da tecnologia pode ir além do diagnóstico e análise clínica. “Criamos uma solução focada em melhorar o acesso e o fluxo de pacientes do Hospital Albert Einstein, que hoje tem mais de 1.100 leitos”, disse.

Com o uso da Inteligência Artificial e análise de dados, a solução permite que os profissionais identifiquem o melhor leito de acordo com o quadro clínico do paciente, garantindo segurança e qualidade assistencial. Hoje, segundo Ferraretto, os pacientes que entram no pronto atendimento recebem um score de propensão à internação, que abastece diversas áreas do hospital. “O médico tem acesso à essa probabilidade. Conforme a jornada do paciente vai evoluindo ali dentro, as informações são atualizadas”, explicou.

A ferramenta combina dados básicas, como pressão e histórico de saúde, com resultados de exames e outras informações inseridas ao decorrer do atendimento. Em uma segunda etapa, após o diagnóstico de internação, a solução indica qual o melhor leito para aquele paciente. “Todo o processo geralmente dura em torno de quatro ou cinco horas. Hoje, conseguimos antecipar mais de uma hora e meia”, ressaltou Ferraretto.

Educação descomplicada

Já na educação, os participantes foram apresentados à TATI, plataforma de Inteligência Artificial lançada pela Conexia, empresa do Grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro). A solução usa computação cognitiva para simular uma assistente virtual que aprende com os estudantes para ajudá-los a organizar a vida escolar, atingir metas e melhorar o desempenho nas avaliações. “Nosso principal objetivo é responder perguntas que surgem depois que o aluno sai da sala de aula. A TATI não é uma ferramenta para ser usada no lugar do professor, mas para complementar o aprendizado”, ressaltou Reginaldo Gotardo, head do projeto.

Segundo Chaim Zaher, presidente do Grupo SEB, o objetivo é fazer com que o professor ganhe tempo útil, criando uma trilha para cada aluno. “Conseguimos perceber a forma como o aluno quer estudar. Alguns preferem vídeos, outros resumos. Com o uso de Inteligência Artificial e dados, conseguimos personalizar a plataforma”.

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