Nubank reformula cartão de crédito e promete 30 anos de crescimento

Empresa quer competir com os grandes bancos brasileiros e acredita que isso será excepcional para o Brasil

Nubank reformula cartão de crédito e promete 30 anos de crescimento

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“Somos o maior banco digital do mundo”, diz David Vélez, fundador do Nubank, logo no início de um encontro com diversos jornalistas. A startup brasileira supera em número de clientes todos os seus rivais, contando com 2,5 milhões de usuários na Nuconta. Além disso, são 5 milhões de clientes que possuem cartão de crédito da empresa, o que transforma o Nubank em um dos 5 maiores emissores de cartão do Brasil.

Vélez faz uma ressalva de que na Ásia, especialmente na China, existem serviços digitais que funcionam como banco, mas que não são bancos propriamente ditos – como WeChat e Alipay, transformando o país em uma potência de fintechs. Mas em todo o ocidente, o Nubank reina supremo – o segundo colocado, um banco inglês, tem cerca de 1,8 milhão de usuários em sua conta digital.

Para continuar na vanguarda, a companhia acaba de reformular o seu cartão de crédito, com um design novo diferente de todos os cartões existentes. Além disso, o Nubank abraça, de vez, a tecnologia contactless, com NFC, que permite que as pessoas paguem suas contas apenas com a proximidade do cartão com a maquininha.

Um cartão para a todos dominar

Ao olhar para o novo design do cartão, percebe-se que o Nubank optou por algo mais simples e elegante. O logo da empresa desce e fica do lado do nome do usuário. Junto com o logo da Mastercard e o símbolo da tecnologia contactless, são as únicas informações que você encontra na frente do cartão.

O número do cartão, sua validade e o código de segurança são encontrados no verso. Isso deixa a frente muito limpa e bonita. “Tem gente que olhou para esse novo modelo e disse ‘nossa, parece um cartão de visitas meu’”, conta Mariana Netto, brand manager da empresa.

É interessante notar que isso é uma jogada de marketing interessante. A força da marca Nubank associada à ansiedade de receber o cartão faz com que as pessoas tirem fotos e coloquem nas redes sociais assim que os recebem. Usualmente, elas tentam esconder alguns números, mas muita gente já deixou passar informações sigilosas, o que faz com que o Nubank tenha que cancelar alguns cartões.

Isso não deve mais acontecer. Sem os números na frente, não se corre mais o risco de compartilhamento de informações confidenciais. Mudar o cartão passa a ser uma atitude relativamente simples que causa menos dor de cabeça para o cliente e para a área de atendimento da empresa. “Tínhamos, muitas vezes, que olhar as redes sociais para ver quem estava compartilhando com informações sigilosas”, conta a brand manager.

Nas próximas semanas, quando os cartões neste novo formato começarem a ser emitidos, prepare-se para ver muita foto na internet sem problemas de vazamento de informações. “Consideramos isso um investimento em marketing”, destaca Mariana. A começar na semana que vem, quem for receber um cartão novo receberá neste novo formato juntamente com um porta-cartão para pregar no smartphone (podendo deixar a carteira de lado).

Estratégia acertada

Mesmo com o lançamento da Nuconta, o cartão de crédito ainda é o coração da empresa – e por isso mesmo possui o dobro de usuários que a conta. E Vélez acredita que ter iniciado as operações com cartão de crédito foi essencial para que a empresa chegasse onde chegou atualmente.

“A maioria dos bancos digitais começou com um cartão de débito. Termos começado com cartão de crédito foi diferente. Crédito foi muito mais fácil. Quando você é um banco novo, tem que pedir para as pessoas depositarem. E como você faz isso se ninguém confia?”, diz Vélez. Ao começar com crédito, o Nubank garantiu mais apelo e conseguiu quebrar a barreira da desconfiança que paira sobre muitas das fintechs. Ele mesmo destaca que é uma estratégia mais arriscada, mas que deu certo.

Compare isso com outra fintech promissora brasileira, o Banco Neon – que, assim como a maioria dos bancos digitais, também começou a operar com um cartão de débito. Muito embora tenha conseguido bastante relevância no mercado, o Neon não conseguiu criar para si o mesmo hype que o Nubank conseguiu. “Crédito é melhor para aquisição de cliente. Mais arriscado, mas foi melhor. Mesmo lançando no meio de uma crise que comeu 8% do PIB”, complementa Vélez.

Um verdadeiro banco digital

Interessante notar que o Nubank está caminhando cada vez mais para se tornar um banco digital. Com a licença de instituição financeira, o Nubank já consegue levar vários produtos de banco para o mercado – a grande maioria na verdade. “Tem alguns específicos que não podemos, principalmente relacionado a câmbio, mas todos que nos interessam estão cobertos pela nossa licença atual”, destaca Vélez.

Isso significa que a empresa deve anunciar algumas novas iniciativas em breve, como poder sacar dinheiro direto da Nuconta e produtos voltados para pessoas jurídicas. “O que eu posso falar é que escutamos muito os nossos clientes e as pessoas estão pedindo por isso (a habilidade de sacar dinheiro)”, diz Vélez.

O Nubank planeja “chegar lá” e competir de igual para igual com os grandes bancos que dominam o mercado brasileiro atualmente: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa. “5 anos atrás, quando lançamos, a ideia era que ninguém conseguia concorrer com os grandes bancos. Eu ouvia muito 'voce é gringo, não entende o Brasil'", conta o colombiano, ressaltando que a competição será muito saudável para o usuário brasileiro: vai ajudar a baixar juros e tarifas, que atualmente estão entre as maiores do mundo.

Pelo visto, o Nubank não está para brincadeira. A startup entende que está apenas no começo – que esse é seu o Dia 1, e que muito trabalho ainda deverá ser feito para que ela chegue no patamar desejado. E que o crescimento da instituição deverá durar mais bastante tempo. “Temos um plano de 30 anos de crescimento. Estamos bem no começo", termina o fundador da startup.

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