Para entender a Nova Economia você precisa saber o que 996 significa

Ficou claro para mim que trabalhar MUITO é elemento essencial na jornada para o sucesso

Para entender a Nova Economia você precisa saber o que 996 significa

Ficou claro para mim que trabalhar MUITO é elemento essencial na jornada para o sucesso

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Um executivo de uma das empresas sempre presentes naquelas listas de empresas mais inovadoras do mundo uma vez me disse: “A China vai transformar o Vale do Silício na próxima Detroit”.

Eu rapidamente discordei dele. É óbvio que a China é a líder mundial em Inteligência Artificial, fintechs e no varejo do futuro. O Vale do Silício pode até ser ultrapassado pela China em um futuro próximo, mas não consigo imaginar a capital mundial de inovação do planeta em um local como Detroit, que atualmente tem uma taxa de desemprego de quase 10%, enquanto a média nos EUA é 4.1%.

Embarcamos em uma discussão acalorada sobre China vs. Vale, a qual eu terminei com a seguinte conclusão: a cultura de trabalho no Vale não chega nem perto da rotina nas empresas de tecnologia da China. Por outro lado, ele deve ter tido a seguinte conclusão: tomara que ele conte ao mundo sobre o 996!

A discussão de quem será o líder mundial de inovação não me apetece tanto como tentar aprender com o que tem de melhor em cada lugar e ficar ligado para como isso pode apresentar ameaças e oportunidades no nosso dia-a-dia, trabalho, investimentos e vida.

Primeiro, não me parece justo comparar uma região com um país continental. Segundo, discutir se será a China ou o Vale que será o principal motor mundial me parece similar a discutir quem é melhor: Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo. Uma discussão inútil. Por que não apenas desfrutamos ao assistir os dois craques? Porque não focar em aprender com o que cada um faz de melhor e achar analogias para incluir no nosso dia-a-dia de uma maneira ou outra ao invés de fazer um ranking?

Quando eu disse isso ao camarada que me pediu para não citar seu nome, ele respondeu: para os meus filhos eu prefiro dar o exemplo do Cristiano Ronaldo, pois é nítido que ele chegou lá graças a MUITO trabalho e não graças a dom. É indiscutível que ele é um jogador muito mais completo que o Messi: graças ao seu esforço, ele chuta com as duas pernas, cabeceia como poucos, defende e ataca, e é muito mais físico do que o Messi. O Messi nasceu com um dom sobrenatural e só tem a perna esquerda. Mesmo assim, ele não parece humano. Uma criança ao assistir o Messi, baba e pensa nossa! O melhor do mundo! Toda essa mágica apenas com seu pé esquerdo.

Uau! Nunca vou chegar lá. A mesma criança ao assistir o Cristiano Ronaldo percebe que ele é fruto de muito esforço. Tem dom, claro! Mas ele exala esforço. Se todos os jogadores profissionais do mundo tivessem o comprometimento dele com o trabalho, o que aconteceria? A cultura da inovação nas empresas de tecnologia da China é assim. Trabalha-se mais do que provavelmente em qualquer lugar do mundo e certamente muito mais do que no Vale.

Esta porrada me fez pensar no livro Mindset: The Psychology of Success, da professora de Stanford Carol Dweck. O cerne da obra-prima é que há dois tipos de pessoas: aquelas com o mindset fixo – que acreditam que habilidades são fixas – e aquelas com mindset de crescimento – que acreditam que habilidades podem sem desenvolvidas com trabalho duro e metodologia correta. Algumas das lições principais que eu levo para minha vida deste livro: todos podem mudar seu mindset, lembrar de não depender do talento natural nem da sorte, mas sim focar em desenvolver habilidades e lembrar da atenção no processo e não só no resultado.

Beleza, você se torna atleta profissional. Uma das profissões mais concorridas do planeta. Aí tira o pé do acelerador e não corre os quilometros a mais todos os dias que vai faze-lo ter ainda mais destaque. Esse extra não depende de talento, nem de dom, só de trabalho duro.  É exatamente isso que diferencia a Nova Economia da China do que acontece no Vale e do resto do mundo. Nas empresas de tecnologia da China, estes quilometros adicionais, não são extras. No longo prazo, tantas horas de trabalho a mais, fazem a diferenca. É como juros composto, um pouco a mais todo dia já faz uma bela diferença. Muito a mais todos os dias, fica difícil de recuperar.

Eu o interrompi: o importante é o output e não o input. E a obra do Tim Ferris, the four hour work week, a semana de trabalho de apenas quatro horas. Mas, ele não me deixou elaborar. Disse: bah! Faça um favor ao mundo e conte a todos sobre o 996!

Ok, vamos lá. Nas empresas de tecnologia na China, a norma é o 996:

9: 9h da manhã é quando as pessoas chegam nos escritórios.

9: As pessoas não saem do trabalho antes das 9h da noite.

6: Seis dias por semana trabalham nesse ritmo.

“O mundo tem que entender isso e cada um decidir se funciona para sua vida ou não. Mas, estar consciente de que num mundo globalizado você compete com Chineses que não tem escolha e são culturalmente e socialmente quase que obrigados a seguir o 996. Na China você olha para cima ou para baixou ou para o lado e estão todos seguindo as regras deste jogo: desde o entry-level estagiário até o alto escalão estão trabalhando no mínimo 12 horas por dia, 6 dias por semana. E não é só no primeiro ou segundo ano da empresa. É a vida toda! Você já ouviu falar de juros composto!? O mundo não vai conseguir competir!”, disse.

O interlocutor é gente boa. Mas esse assunto o incomoda demais. E ele não é o único. Mike Moritz, da Sequoia, escreveu um artigo para o Financial Times com o título “Silicon Valey seria sábio de seguir a liderança da China – a ética de trabalho de empresas chinesas de tecnologia esta muito a frente das rivais dos EUA” (original Silicon Valley would be wise to follow China’s lead – the work ethic in Chinese tech companies far outpaces their US rivals).

Sequoia é o Real Madrid dos VCs (Venture Capitalists). Investiu cedo em Apple, Google, Cisco, Oracle, Airbnb, Whatsapp e muitas outras. Já esta na China faz tempo. Eles ganham fortunas antecipando o futuro e chegando antes na bola e nas tendências.

Financial Times, do Reino Unido, é uma publicação influente e séria. Jornalismo do mais alto calibre. Alguns artigos derrubam preços de ações quase instantaneamente. O Moritz escrevendo para o FT agita o mercado.

Quem quiser conhecer mais sobre o Moritz, recomendo o excelente livro que ele escreveu junto com o Sir Alex Ferguson, um dos maiores técnicos da história do futebol. Conheci os dois em pessoa e me ficou claro que ambos são adeptos de versões parecidas da intensa ética de trabalho 996. Sir Alex contou que só foi tomar café da manhã com a esposa regularmente depois que se aposentou, pois ele costumava sair de casa antes das 6:30 diariamente nos seus mais de 25 anos como manager do Manchester United.

Moritz não é o único dizendo que o Vale tem que aprender e melhorar com a China. Sam Altman, líder da Y Combinator, aceleradora por onde já passaram grandes startups como Dropbox, Airbnb, Coinbase, Reddit, polemizou sobre China vs Vale do Silício quando escreveu  “Eu percebi algo na China que me surpreendeu. Eu me senti mais em casa discutindo ideias controvérsias em Pequim do que em São Francisco”.

Reitero: acho estupido discutir quem está ou estará na frente. Acho mais interessante aprender com os dois lugares independentemente de qualquer lugar em algum ranking.

Uma das coisas que me surpreendeu ao cobrir bilionários para a Forbes foi quantas horas eles trabalhavam, mesmo depois de já conquistar independência financeira para gerações. Antes de ver a imagem abaixo, pergunte-se, quantas horas você trabalharia se tivesse mais de US$ 1 bilhão como sua fortuna pessoal? Ou melhor, pergunte a um amigo? E depois mostre a imagem abaixo para ele. Segue diretamente do Instagram da Forbes:

Forbes

Claro que há exceções, mas ficou claro para mim que trabalhar MUITO é elemento essencial na jornada para o sucesso. Eu nunca vi nada parecido com a cultura de trabalho de empresas de tech na China.

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