Vale do Silício: tudo o que você precisa saber sobre o maior polo de inovação do mundo

Conhecido como o polo de inovação mais famoso do mundo, é lar das maiores empresas da atualidade e destino indispensável para quem quer inovar 

Vale do Silício: tudo o que você precisa saber sobre o maior polo de inovação do mundo

Conhecido como o polo de inovação mais famoso do mundo, é lar das maiores empresas da atualidade e destino indispensável para quem quer inovar 

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O que é o Vale do Silício?

O Vale do Silício é conhecido por ser o maior polo de inovação do mundo. Além de ser lar das empresas mais disruptivas e famosas ao redor do globo, como Facebook, Apple e Google, por exemplo, a região também conta com a presença de duas das mais renomadas universidades do mundo: a Universidade de Stanford, em Stanford, e a Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley). 

O Vale está localizado na Baía de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos. Apesar de ser reconhecido mundialmente, não há uma definição exata sobre sua extensão ou quais cidades exatamente fazem parte dele. Isso acontece porque elas são muito próximas, o que às vezes dificulta a distinção entre cada uma. 

Dessa forma, neste material o conceito de Vale do Silício utilizado será o que abrange as cidades: Berkeley, Campbell, Cupertino, Fremont, Los Altos, Los Gatos, Menlo Park, Mountain View, Milpitas, Newark, Palo Alto, Redwood City, San Francisco, San Jose, Santa Clara, Saratoga, Sunnyvale, Stanford e Union City. 

Outra peculiaridade do Vale  do Silício é que a região não é sinônimo de inovação só por causa das empresas e universidades, como também pela mentalidade dos moradores: quem vive por lá, independente do que faça ou seja, é antenado nos últimos lançamentos, com muita vontade de aprender, empreender e compartilhar. 

O que faz o Vale do Silício ser um sucesso?

De fato, segundo Maurício Benvenutti, sócio do StartSe e autor do livro Incansáveis, existem três condições que fazem o Vale ser sinônimo de sucesso. Elas são: rebeldia, conhecimento e capital financeiro. Afinal, sem inconformismo e vontade de mudar o mundo, unido a um bom know-how e investimentos, dificilmente há inovações. 

No Vale, além de existir muita rebeldia, devido à cultura local, e conhecimento, em parte devido às universidades de lá, há uma quantidade abundante de capital. Dessa forma, ao mesmo tempo em que é conhecido como o berço das novidades mais recentes, o Vale acaba sendo foco não somente de novas ideias, como também de investimentos. 

De fato, atualmente o Vale do Silício atrai investimentos não só da região da Baía de São Francisco, como do país e do mundo. Mas, para chegar no estágio em que está - tanto de inovação quanto de mentalidade e infraestrutura -, a região passou por diversas transformações, que começaram principalmente na chamada corrida do ouro, na década de 1840. 

 

História do Vale do Silício

A história do Vale do Silício deixa claro que a junção de eventos, como a descoberta do ouro na região de São Francisco e a corrida espacial, por exemplo, foram determinantes para a transformação da Baía de São Francisco no polo de inovações que conhecemos.  

No final da década de 1840, foi descoberta uma quantidade considerável de ouro em São Francisco, o que atraiu pessoas de milhares de lugares para a costa oeste do continente norte-americano. Esse evento ficou conhecido como a corrida do ouro. 

A corrida resultou no enriquecimento de muita gente, mas quem não teve sucesso também começou a investiu em outros negócios para sobreviver. “Quando a corrida do ouro aconteceu, ir para o oeste era muito difícil e, uma vez chegando lá, não tinha para onde ir e voltar não era uma opção. Assim, se não desse certo a busca pelo ouro, a pessoa era obrigada a empreender e arriscar”, afirma Rodrigo Espinosa, vice-presidente da agência de marketing George P. Johnson (GPJ) e ex-professor da UC Berkeley.  

Com isso, a cidade de São Francisco e as outras ao seu redor cresceram ligadas ao mundo do empreendedorismo e dos investimentos e, eventualmente, as universidades de Berkeley e Stanford foram fundadas em 1868 e 1885, respectivamente.  vale do silicio: corrida espacial

Outro fator importante que impulsionou o Vale do Silício a se tornar de fato o que é hoje ocorreu durante a Guerra Fria, mais precisamente quando a Rússia conseguiu lançar a Sputnik 1 com sucesso, passando na frente dos EUA na corrida espacial. 

Como revanche, os norte-americanos fundaram a NASA, mas isso não bastava: a organização precisava dos melhores profissionais para conseguir por a primeira pessoa na Lua. Segundo Chris Haroun, parceiro na Artis Ventures e professor na Hult International School of Business, quem atendeu a essa demanda foi a Fairchild Semiconductor, empresa de tecnologia localizada na Baía de São Francisco. Essa parceria foi a segunda faísca para influenciar a região com uma mentalidade ainda mais inovadora e uma cultura de assumir riscos constantemente.  

 

Por que o Vale do Silício é importante?

Segundo Maurício Benvenutti, o segredo para o Vale do Silício ser o polo de inovação mais reconhecido do mundo, além dos fatores históricos, é a presença muito forte de três ingredientes essenciais já mencionados: 

Rebeldia: necessária para dar o impulso inicial, seria a vontade de transformar o mundo. 

Conhecimento: é a parte mais cerebral, que delimita melhor a faísca inicial de uma ideia, definindo como ela será posta em prática. 

Capital financeiro: para tirar a ideia do papel, é preciso dinheiro ou, mais especificamente, investimentos. 

O Vale reúne esses três fatores de forma equilibrada. Isso ocorre em parte por causa da diversidade da população, o que colabora com a troca de experiências e uma maior abertura entre as pessoas; da mentalidade da região, conhecida pela cooperação entre as pessoas e pelo famoso Fail Fast; da cultura empreendedora, alimentada pelas universidades e pela rebeldia das pessoas; e da abundância de investimentos, destinados em grande parte às inovações na região.  

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Vale do Silício: um hub cultural 

Um dos diferenciais do Vale do Silício é o lugar ser habitado por pessoas de origens variadas, tendo uma população bastante heterogênea. Segundo Espinosa: “A aceitação e a abertura do Vale do Silício tem muito a ver com a diversidade de culturas e origens. Por exemplo, lá se fala muitas línguas diferentes”.  

De fato, o primeiro dado que comprova essa variedade é a quantidade considerável de estrangeiros que habitam o Vale, sendo mais expressiva do que o total no Estado da Califórnia e nos EUA. Em 2015, por exemplo, segundo o Silicon Valley Indicators, 37,5% da população do polo de inovação é estrangeira, o que equivale a quase o triplo do número de estrangeiros no país, que fica somente com 13,5%.  

Porcentagem da população que nasceu em países estrangeiros | 2015

vale do silício: porcentagem de população estrangeira

A variedade cultural não está presente só pelo fato de que há uma quantidade considerável de estrangeiros, mas também porque é possível perceber uma heterogeneidade muito maior do que a referente ao resto do país. Entre os estrangeiros dos EUA, os falantes de língua espanhola são maioria com 62,1%, no Vale do Silício eles não passam dos 37%. Mais especificamente em São Francisco, quem é maioria são os falantes de chinês, representando por volta de 40% da população. 

Dessa forma, é interessante observar que a cultura do Vale do Silício não é devida exclusivamente à história do local. Ela também é o resultado de diversos hábitos e populações de diferentes lugares do mundo, que foram atraídas de alguma forma para lá.  

Línguas que não são o inglês faladas em casa pela população de 5 anos ou mais | 2015

vale do silício: porcentagem de línguas faladas

Como consequência para essa diversidade cultural, há uma maior troca de experiências entre as pessoas. “Aqui, há várias habilidades e culturas diferentes. Como muitos são de fora, isso favorece o contato e as pessoas conversam mais entre si”, comenta Vilmar Grüttner, head do laboratório digital do Banco do Brasil, localizado no Vale do Silício.  

Em relação a isso, Li Jiang, vice-presidente da GSV Asset Management e chefe evangelista da GSVlabs, afirma: “O que faz o Vale do Silício especial são as pessoas, elas moldam a cultura e, consequentemente, a cultura continua a atrair as pessoas mais mente aberta e curiosas do mundo”.  

 

Mentalidade inovadora 

A mentalidade ou, em inglês, o mindset do Vale do Silício é uma das características mais marcantes da região. A forma de pensar da população da Baía de São Francisco se destaca também por outros fatores, tais como a prática constante da colaboração, a noção de que errar faz parte do aprendizado e a aceitação de inovações com muito menos resistência do que em outras partes do globo.  

Como já mencionado, a diversidade cultural do Vale e a sua história influenciaram fortemente a abertura da sociedade para estrangeiros, mas não só! Também é muito comum a troca de ideias e a colaboração inclusive entre possíveis concorrentes. No caso, ao invés de ser valorizado quem a pessoa é, onde ela trabalha ou o que ela tem – como acontece no Brasil, por exemplo –, as boas ideias estão acima de tudo no Vale do Silício.  

Uma das causas para isso ocorrer, segundo Rodrigo Espinosa, é a humildade, devido ao grande número de falhas pelas quais os empreendedores passam, e a ausência de hierarquia da região: “Aqui, a melhor ideia ou a pessoa mais inteligente, por exemplo, ganha, independente se ela estiver trabalhando em uma garagem ou em um escritório de coworking”.  

vale do silicio mentalidade inovadoraDe fato, para empreender é preciso estar ciente de que os desafios para ter uma startup são vários e, como resultado, uma em quatro morrem no primeiro ano de vida. Engana-se, no entanto, quem pensa que falhar é algo negativo – pelo menos não no Vale do Silício. Um dos lemas mais conhecidos da região é o famoso Fail Fast ou, em português, falhe rápido. A ideia basicamente trata do princípio de que, se você errar, faça-o logo e aprenda com isso o mais rápido possível para se levantar e tentar de novo.  

Vilmar Grüttner, do Banco do Brasil, confirma: “Aqui no Vale, a falha é vista de forma positiva, pois prova que você botou a cara a tapa e está tentando de novo, mas dessa vez com o aprendizado do que deu errado. Não é algo que acabou com a sua vida, pelo contrário, é uma etapa importante”.  

No entanto, quando saber que não há mais volta? Steven Choi, ex-Google e atual responsável pelas plataformas de machine learning em veículos autônomos no Uber, acredita que testar a hipótese é a melhor forma: “De acordo com a minha experiência, quando uma solução não impacta ninguém em casa é um bom sinal para começar a pensar em desistir”.  

Mas não é só o lema de falhar rápido que favorece a cultura do empreendedorismo. A população em geral do Vale é de fato muito aberta a inovações, adotando as novidades sem grande resistência. Segundo Benvenutti, a população do Vale do Silício tem uma grande capacidade de romper com comportamentos medianos muito rápido. Isso faz dela um early adopter, ou seja, pessoas que têm grande abertura a novidades, tornando-se usuários facilmente. 

 

Cultura empreendedora 

Segundo Rodrigo Espinosa, da George P. Johnson, cultura é algo muito regional e, enquanto Los Angeles respira cinema, o Vale do Silício é pura tecnologia e empreendedorismo. Consequentemente, a grande maioria da população do Vale do Silício está envolvida ou quer se envolver com as novidades: “As pessoas estão sempre procurando pela nova grande ideia. No fundo, todos acreditam que podem contribuir de alguma forma com as inovações”, afirma Jiang, da GSV Asset Management.  

Essa cultura rebelde e dinâmica, além dos fatores históricos, também tem grande influência das universidades de Stanford e  UC Berkeley. Ambas instituições têm enfoque em empreendedorismo, com aulas que exigem mais participação e colaboração dos alunos. Espinosa, que já lecionou em UC Berkeley, afirma: “Os cursos são de ponta e oferecem um jeito de estudar e trabalhar muito diferente, exigindo a colaboração e participação dos alunos. Muitas vezes há dificuldade para se adaptar a esse modelo, uma vez que as pessoas estão acostumadas a obedecerem ordens”.  

Exatamente por isso, é importante chamar atenção para o fato de que ser brilhante e estar em uma das melhores universidades do mundo não são garantias de sucesso. Além da abertura a colaborações e ao coworking, é preciso ter o espírito empreendedor e ter certeza que esse risco realmente vale a pena.  

“O empreendedorismo está em quem enxerga oportunidades e não problemas. Quando uma pessoa pensa dessa forma, ela cria inovações”, afirma Benvenutti. Resumidamente, inovar é ir contra todas as barreiras e opiniões contrárias que poderão surgir. Dessa forma, é preciso o empreendedor realmente acreditar no que faz: ele terá mais desafios do que oportunidades em seu caminho. 

 

Concentração de investimentos 

A mentalidade e cultura da região não só são ingredientes essenciais para o reconhecimento do Vale do Silício como um dos maiores polos de inovação do mundo, como também como um lugar onde o sucesso é - quase sempre – garantido. Consequentemente, com resultados tão promissores, o Vale do Silício se tornou não só o sonho de empreendedores, como também de investidores.  

Segundo o Silicon Valley Indicators, os investimentos destinados ao Vale do Silício e a São Francisco, em 2016, somaram 39,4% do total dos EUA. 

Investimentos de Venture Capital no Vale do Silício

Vale do Silício: Investimentos de Venture Capital

Um dos motivos para essa concentração de capital se dá exatamente pelo êxito da região. “As pessoas entendem a visão e os resultados. O modelo econômico do Vale do Silício é tão forte hoje que já se percebeu que investimentos em startups têm o potencial de produzir muito mais valor ao longo do tempo”, afirma Li Jiang, da GSV Asset Management.  

No entanto, para quem quer captar investimentos para o próprio negócio é importante saber que, apesar do capital ser abundante na região, não basta ter uma boa ideia e partir em direção à costa oeste norte-americana. Segundo Benvenutti, os investidores do Vale recebem cerca de 600 propostas por mês para investir e, para a viagem valer a pena, o negócio em questão deve estar focado no mercado norte-americano ou no mundial.   

Além disso, Steven Choi, do Uber, frisa a importância de testar a ideia antes de ir atrás de investimentos. No caso, um bom produto pode até chamar a atenção de um investidor, mas com um protótipo ou MVP (Produto Mínimo Viável) é possível delimitar com mais precisão o destino do investimento. Como resultado, as chances de conseguir o aporte são maiores.  

Outro fator, importante tanto para startups quanto para corporações, é delimitar o porquê é preciso ir para o Vale antes de ir para lá de fato. Apesar de parecer óbvio, não é difícil empresas investirem nisso e ou acabarem resolvendo problemas que já poderiam ter sido solucionados no próprio país de origem, ou irem sem foco e queimarem o próprio filme por demonstrarem despreparo. 

 

O que o Brasil pode aprender com o Vale do Silício 

Segundo Maurício Benvenutti, uma das coisas que o Brasil tem de sobra é rebeldia, ou seja, a vontade de mudar, de fazer acontecer. Mas, como já visto, só isso não basta e em relação a conhecimento o país tem um nível médio, enquanto o capital é pouco. Além disso, ainda impera no país a cultura da estabilidade, onde ter uma casa própria e um emprego estável por anos a fio é sinônimo de sucesso. 

Dessa forma, a postura disruptiva que é tão presente no Vale ainda não é muito comum aqui no Brasil, ainda mais entre o público que não está ligado diretamente ao mundo do empreendedorismo. No entanto, ela está começando a chegar com a ajuda das startups que vêm ou que surgem no país. 

Outro fator que o Brasil precisa aprender com o Vale é a ter mais humildade e abertura com pessoas de fora. Segundo Rodrigo Espinosa, que ao longo da sua experiência já teve a oportunidade de trabalhar no Brasil: "Não há muita abertura para estrangeiros como há na Califórnia. Também, no Brasil há muita arrogância, as pessoas não têm humildade". 

Com a falta de abertura, dificilmente ocorre a troca de experiências e o compartilhamento de conhecimento entre as pessoas, o que pode acabar isolando ideias boas ao invés de desenvolvê-las, por exemplo. 

Isto posto, o Brasil ainda tem bastante para aprender com a região californiana. Não só no sentido de ser mais aberto a estrangeiros, como também para investir em ideias disruptivas e romper com a cultura da estabilidade. Para fazer isso, Benvenutti dá a dica: “O importante não é imitar o Vale do Silício, mas ver o que está sendo feito lá e tropicalizar, ou seja, adaptar para a realidade do país”. 

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